
Para saber o que se passa na cabeça da elite econômica neocolonial, basta ler os seus diários oficiais (Globo, Folha, Estadão). Não somente os editoriais, a voz do dono, mas pelas matérias dos jornalistas mais subservientes e sabujos.
O sinais já vinham sendo enviados nos ataques ao STF. Um ex-guerrilheiro, para surpresa de ninguém, bradou pelo fechamento do STF (depois tentou se remendar, com o habitual “não foi bem isso que quis dizer”). Já outro, serviçal de fardão, mais descarado, clamou por uma manifestação dos comandantes militares para exigir punição de ministros do STF.
Tudo bem que defender um judiciário que mantém relações promíscuas com o setor privado é algo difícil. Mas não são os deslizes éticos dos magistrados que incomodam a elite. Pelo contrário, essa é exatamente a relação que eles querem preservar. O problema é o papel que o STF assumiu na defesa da ordem democrática, sem considerar os interesses econômicos dos donos do dinheiro.
O escândalo do Banco Master foi um divisor de águas. Punir um boçal e seus generais golpistas foi aceitável. Mas remexer nos esgotos da Faria Lima não é. Porque revela que a nossa elite que se acha “limpinha e cheirosa” é mais suja que a pior das pocilgas. Lavagem de dinheiro do tráfico, fraudes financeiras penalizando o erário, golpes de pirâmide, enfim: tudo junto e misturado.
Assim os jornalões entraram em campo para fazer o que são experts: a manipulação dos fatos (agora se diz “controlar a narrativa”). Promoveram vazamentos seletivos dos escândalos do INSS e do banco Master. Desviaram o foco para pistas falsas, abafaram as relações perigosas dos seus e, de forma criminosa, subornaram servidores públicos para ter acesso a informações sigilosas de adversários, em busca de algo comprometedor. E repetiram a técnica bizarra de fazer um “powerpoint” pra lá de falacioso, retomando as táticas do lavajatismo. Já se desculparam pela falta de sutileza, com um pedido de desculpas bem esfarrapadas. Porém o subtexto das excusas é: tentaremos não manchar tanto a dignidade da profissão de jornalistas das próximas vezes, mas prosseguiremos sendo desonestos na nossa cobertura.
Enfim: os escrúpulos da grande imprensa brasileira foram mandados às favas. E isso só vai piorar. Diante do fracasso em patrocinar uma “terceira via”, um neofascismo light, já ensaiam abraçar o candidato da familícia, um “Flávio” sem sobrenome. Por enquanto, ainda de forma um tanto envergonhada. Mas em breve será de forma descarada. Eles ainda alimentam a esperança de inflar a candidatura de um filhote de roedor, ou outrosem sem tantos telhados de vidro. Mas o jornalismo de guerra já está jogando com as suas armas mais sujas. Nos próximos meses, será daí pra pior.
