Neste momento, aguardam-se possíveis retaliações dos EUA ao Brasil. Num primeiro momento, dirigido aos Ministros do STF, para alimentar a horda dos cães rastejantes do bolsonarismo que lambem a sola dos pés de Donald Trump. Cabe refletir sobre o que isso poderá ocasionar. Porém antes é preciso refletir sobre o “modo Trump” de agir e suas motivações.
Já vimos o presidente fantoche da OTAN na Ucrânia ser humilhado por Trump. Usando uma linguagem de jogador de cassino, o presidente americano o acusou de não ter cartas na mão pra mandar no jogo. Nada surpreendente. Esse sempre foi o comportamento do empresário Trump em seus negócios: exibir o seu poderio, blefar, sem quaisquer escrúpulos. Ao contrário das recomendações dos tradicionais manuais de negociação, que divulgam a falácia do modelo de negociação “ganha-ganha” – quase um clichê nesse meio – Trump exige submissão.
O maior negociador do Brasil, uma cara chamado Luis Inácio, disse certa vez que “não existe ganha-ganha; o que existe é um que ganha e um outro que finge que ganha”. Trata-se de uma verdade nem sempre óbvia: numa negociação, sempre há um ganhador. O perdedor aceita o acordo porque é o máximo que ele pode obter com os recursos que tem, o que pode ser melhor do que ficar sem acordo algum.
O que o ganhador de fato deve evitar é humilhar o perdedor. Deve ser magnânimo e oferecer saídas honrosas, prêmios de consolação. Do contrário, o oponente ficará aguardado uma primeira oportunidade para dar o troco.
Trump corre um sério risco de se lascar exatamente por isso. Vai alimentar ressentimentos e antiamericanismo pelo mundo inteiro. Vide o efeito nas eleições do Canadá e da Austrália. A forma de negociar supostamente bem-sucedida que ele teve como gestor de empresas não se aplica às negociações entre nações soberanas. As relações internacionais não são jogos de pôquer.
A guerra de tarifas tem muito de blefe, em que Trump ameça e depois recua, visando negociar e obter assim condições mais vantajosas em relação as então vigentes. Países sem grande poder de negociação, se ajoelham. Vide caso do Panamá. A Ucrânia, para não ser abandonada à proproria sorte, teve que ceder a sua soberaria sobre suas reservas de terras raras.
Por isso não se deve menosprezar as bravatas de Trump. Os EUA tem muito poder de barganha. Podem aplicar muitas sanções, por conta de seu poderio econômico e do controle do dólar nas transações internacionais (cujas alternativas ainda engatinham). Podem desestabilizar países com ferramentas de guerra híbrida, com o apoio da CIA e, agora, das bightechs que controlam o fluxo de informações e fakenews nas redes sociais. Por último, eles possuem muitas centenas de bases militares espalhadas por todos os continentes.
As bravatas do Trump, assim com as fakenews, são meras táticas a serviço de uma estratégia bem clara e pragmática: impedir o avanço da China, o real inimigo do Tio Sam, que está desmantelando o poder imperial dos EUA. Aqui é que mora o perigo para o Brasil.Somos uma peça chave do BRICS bem onde o Tio Sam considera o seu quintal.
E isso tem sido dito de forma explícita no “canal oficial” do governo Trump: as entrevistas da FOX news. O Secretário de Defesa atribuiu a Trump a frase ‘Isso acabou, vamos retomar o nosso quintal”. Já o próprio presidnete afirmou que os países latino-americanos talvez devam escolher entre China e EUA.
O ataque virá, principalmente em reação ao acordo recentemente pactuado com a China. Assim como já começaram a mostrar as garras para a África do Sul, braço do BRICS no continente africano.
Mao-Tsé Tung (que já há algum tempo se grafa Mao Zedong) certa vez se referiu aos EUA como um “Tigre de Papel” (“Na aparência é muito poderoso, mas, na verdade, não é nada a temer; é um tigre de papel. De fora um tigre, dentro é feito de papel, incapaz de resistir ao vento e à chuva. Acredito que não é mais que um tigre de papel.”). Pode ser verdade para a China, mas para o Brasil e o Sul Global, é um predador bem ameaçador, que não deve ser menosprezado. Até porque ele conta com muitos quinta-colunas na nossa república bananeira.
Marc Rubio certamente já organiza a desestabilização das eleições deste ano no Chile, na Bolívia, em Honduras e na Guiana – enquanto saboreia a vitória de um serviçal no Equador. Tem o apoio da Argentina com Milei, de El Salvador com Bukele e, discretamente, conta com o Paraguai. Ações para desestabilizar Colômbia, México e Brasil serão frequentes, além dos habituais ataques à Venezuela, Cuba e Nicarágua. Curiosamente, e de forma inédita, há poucos dias a Embaixada dos EUA em Caracas emitiu um alerta aconselhando os cidadãos norte-americanos a deixar a Venezuela imediatamente. Haverá algo sendo tramado?
Este blog está em silêncio desde o início de fevereiro. Foi uma escolha, pois as postagens estavam muito repetitivas. Numa república bananeira, as movimentações sempre seguem um mesmo roteiro. Tivemos novos fatos, mas pouca coisa mudou desde então. E, perdoem-nos por esta postagem um tanto longa.
Em fevereiro muitos comemoraram a manifestação do PGR, de fato contundente, que propôs o indiciamento de altas autoridades do governo anterior, incluindo um general 4 estrelas que ganhou inédita prisão preventiva. Porém ficaram de fora várias figurinhas carimbadas do golpe, entre financiadores e até um deplorável ministro do TCU, que numa gravação vazada demonstrou saber de muita coisa. Aliás uma figura onipresente em todos os atos golpistas, desde a lava-jato.
Enfim, o relatório do PGR desencadeou um breve surto de otimismo, de que finalmente iríamos romper com a lógica das repúblicas bananeiras. Há o que comemorar, sem dúvida, mas ainda falta muito. A PGR, antes de tornar público o relatório, certamente ouviu ou avaliou o clima nas instituições (basicamente o comando militar, o Congresso, o STF e a Faria Lima).
Aos militares bananeiros, restou a saída honrosa de jogar aos leões os indisciplinados. Algo digerível, pois feriram a hierarquia e a disciplina, valores máximos da caserna. Sobrou para os golpistas declarados, os que foram flagrados se referindo aos superiores como frouxos, sem culhões ou covardes. As FFAA, como já comentamos aqui, se dividiram em três grupos: O primeiro, que adoraria um golpe, mas o descartou por falta de apoio claro dos EUA, pois o fracasso seria certo; o segundo, os entusiastas do golpismo, que bancaram as ações dos kids pretos e preparou a operação “punhal verde-amarelo” (que ia matar meio mundo, segundo um dos integrantes do grupo); por fim, os golpistas que se submeteram ao comando superior, mas que, na surdina, se omitiram diante dos planos dos golpistas empedernidos. Provavelmente sonhavam com um golpe dado pelos radicalizados, de folego curto, mas que faria o trabalho sujo. Entrariam depois com as fardas limpas e posando de restauradores da ordem democrática. Obviamente, com as principais lideranças do país assassinadas.
Dessa forma, sobrou para o grupo golpista mais radical “pagar o pato”. Mas a milicada não é de abandonar os seus “irmãos por escolha”. Os condenados deverão ter penas leves ou convertidas em prisão domiciliar ou uso de tornozeleiras. Deixarão a carreira militar, mas sobreviverão.
As lideranças golpistas do Congresso e da elite econômica ficaram de fora. Revelado o teor do indiciamento, imediatamente começou um forte movimento dos golpistas da classe política e da Faria Lima para retomar plenamente o poder em 2026. Ainda podem chantagear e/ou bloquear proposições do governo atual, mas querem muito mais do que isso: aspiram a um presidente totalmente submisso a eles ocupando o Alvorada.
A Faria Lima mandou o seu recado através dos editoriais de seus diários oficiais (a grande imprensa). Aceitam o bolsonarismo, porém sem Bolsonaro. Querem alguém que saiba se portar à mesa, comendo de garfo e faca. Sabe o quanto um boçal descontrolado pode atrapalhar os seus negócios, mesmo que nomeie o serviçal dos rentistas (agora no Nubank) para comandar a economia. Mas gostam de um leiloeiro surtado que bate o martelo tal qual um homem de Neanderthal com sua clava. Assim foi iniciada uma campanha velada de promoção do governador privateiro de São Paulo. Só que fizeram isso sem combinar com os bozofascistas, que reagiram ferozmente.
Vieram os projetos para anistiar golpistas, para blindar os envolvidos, para mudar o código penal de forma retroativa e outras patacoadas claramente inconstitucionais. Tentam emparedar o STF apelando para a vitimização do seu gado, aqueles que receberam penas elevadas pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Em suma, querem a mais total e absoluta impunidade. E não aceitam que o seu “Duce” seja impedido de participar do jogo eleitoral.
Foi então que entrou em cena um golpista senior para resolver o imbróglio e articular uma frente neofascista-liberal. Michel Temer trabalha por um grande acordo, com os militares, com o Supremo, Centrão, Faria Lima, com tudo. Tenta convencer os cinco governadores que aspiram a presidência a marcharem unidos (Tarcísio de Freitas/SP, Eduardo Leite/RS, Ronaldo Caiado/GO, Romeu Zema/MG e Ratinho Junior/PR). Tudo em nome da “pacificação” do país.
Com os militares será fácil compor, até porque Tarcísio é um deles. Com o Centrão, basta garantir o poder que conquistaram de manusear vasta fatia do orçamento público. Arthur Lira até declarou que seria uma honra ser vice-presidente da República.
Resta convencer o STF e o Bozofascismo.
Xandão e os outros oito ministros do STF (dois não contam, pois são serviçais do bozofascismo) ensaiam resistir. Um deles, que pra ganhar a cadeira se gabou de ser bom em “matar no peito”, até balançou. Mas o fato é que já consideram uma redução das penas aplicadas ao gado. Sutilmente, já cogitam fazer algumas concessões.
Ao afrouxar a prisão do Collor, em seguida para o Roberto Jefferson, por “razões de saúde”, sinalizaram que o Bozo pode ganhar prisão domiciliar. Não faltarão médicos bolsonaristas, cloroquiners, para assinar laudos comprobatórios de saúde debilitada. Bozo, Braga Neto e outros não terão dificuldades com isso. Aliás, o reality show do Bozo numa UTI foi um balão de ensaio. Já virou uma cantilena a vitimização do ex-presidente, que disse não ter saúde para suportar uma prisão. Até a deputada “hacker e pistoleira”, recém-condenada, já viu que o caminho é esse.
Ainda assim a queda de braço com o STF prossegue. A bancada bozofascista sabe que a inelegibilidade do Bozo é de difícil reversão. E que a condenação dele é quase certa. Por isso faz tabelinha com o Centrão, aproveitando a insatisfação deles com o STF, que exigiu transparência do orçamento secreto. Nenhum deles quer o mandato em risco por se envolverem em maracutaias com o dinheiro público. Livrar o Ramagem foi uma jogada pra pressionar o STF ainda mais. O Centrão balança, porém simpatiza com tudo que enfraqueça o STF. O presidente da Câmara já conversa e articula com os bolsonaristas proposta de emenda constitucional que limita decisões monocráticas de ministros.
Para ajudar na “pacificação nacional”, um dos diários oficiais da Faria Lima abriu espaço generoso em suas páginas para o Bozo afirmar que vai lutar para ser candidato até o último momento, que o capital eleitoral é exclusivo dele e não vai transferir para ninguém. Mas o objetivo dele é, antes de tudo, não ser preso. Fará de tudo para adiar o julgamento para além de 2026. E sinaliza que vai cobrar um preço para apoiar um candidato que não seja indicação dele. Um dos presidenciáveis já entendeu o recado e deu a deixa: o atual governador de Goiás disse que se eleito, dará um perdão presidencial ao Bozo. Fecha o pano.
Neste momento, Michel Temer e João Dória são os artífices do grande acordo, da ópera bufa que vamos testemunhando. Recentemente, em Nova Iorque, reuniram toda a tropa no 14º Lide Brazil Investment Fórum. O governador de São Paulo se reuniu com banqueiros e investidores e apresentou seu programa de governo: desvinculação de despesas obrigatórias (gastos sociais), privatizações, desindexação do salário mínimo, revisão dos gastos sociais (cortes) entre outras músicas para os ouvidos dos hiperliberais. Propostas para o governo de São Paulo, disse ele, dissimuladamente, para não desagradar quem lhe patrocinou o ingresso na política, e cuja chancela depende para voos mais altos.
Em paralelo, de olho nas próximas eleições, a boiada vai passando. Partidos do Centrão vão se unindo em federações, embrião de futuras fusões. Bancadas maiores, com mais participação no fundo eleitoral e nas comissões permanentes, maior poder. Nessas articulações, Toninho Malvadeza Neto, sem cerimônias, falou: “- Bolsonaro é um personagem político com tamanho e densidade eleitoral inegável no campo da direita. Ninguém pode querer construir um projeto de enfrentamento ao PT sério, competitivo e vitorioso sem considerar isso.”
Sem grande alarde, estão aumentando o número de assentos na Câmara dos Deputados. E usaram as eleições municipais para posicionar fortes candidatos ao Senado. Com maioria naquela casa – risco mais do real – passariam a controlar o poder que mais os incomoda: o STF, que ficaria subjugado ao Legislativo. A Faria Lima, via editorial de um dos seus jornalões, também considerou o poder do STF excessivo. E a pauta de interesse popular, o PL da isenção de imposto para quem ganha até 5 mil reais, sobretaxando os que ganham acima de 50 mil pra compensar, teve a relatoria entregue a Arthur Lira.
Em suma, é disso que se trata: vai se desenhando para 2026 a aliança autocrática Centrão/bozofascismo/Faria Lima. E com todo o apoio do jornalismo de guerra, com as habituais coberturas facciosas dos fatos. A democracia liberal, com seus pesos e contrapesos, não interessa mais ao rentismo hiperliberal. Querem o fim da regulação estatal. Querem o Império da Lei…da Selva.
Não dá pra ser otimista. A maior república bananeira do mundo não quer entregar a rapadura.
PS: Num primeiro momento, os bozofascistas ficaram esperançosos de uma intervenção do Donald Trump. Não aconteceu ainda, porque Tio Sam tem outras prioridades. Mas é um fator que ainda pode entrar no jogo, principalmente após a recente consumação da aliança estratégica do Brasil com a China. Mesmo que possa ser um tiro no pé (vide o efeito nas eleições do Canadá e da Austrália).
De acordo com um dos jornalões da Faria Lima o imenso sucesso do filme “Ainda Estou Aqui” está deixando as Forças Armadas profundamente incomodadas. O filme toca numa ferida que eles não querem reconhecer. Seria uma oportunidade para a instituição rever a sua história e redesenhar o seu papel na defesa da soberania nacional. Além de limpar o sangue de suas fardas.
Incomodada ficava a sua avó. Assim dizia um antigo slogan publicitário de absorventes íntimos femininos. A solução para as novas gerações não ficarem mais incomodadas era o absorvente interno.
Mas tem coisas que a atual geração dos militares bananeiros, internamente, não consegue absorver de jeito algum. Ainda não há nada que os façam admitir que as FFAA foram responsáveis por crimes que já são fatos históricos.
Essa milicada tem uma profunda dificuldade em assumir a responsabilidade pelas barbáries cometidas. Se não podem mais negá-las, querem que tudo seja esquecido. Tudo menos pedir desculpas à nação. Não que eles creiam que se trataria de um ato de fraqueza. No íntimo, não querem que nada seja absorvido, não se constrangem com o sangue derramado. Porque, se acharem necessário, serão capazes de novamente fazer jorrar o sangue de democratas brasileiros. Como planejaram recentemente no golpe frustrado que incluía o assassinato de autoridades.
Já o novo presidente da Câmara dos Deputados, em discurso de posse, tentou tirar uma casquinha no sucesso do filme para uma abstrata defesa da democracia e da Constituição. E fez isso cinicamente, como se o fato de ter feito parte da base de apoio do ex-presidente golpista nada significasse. Não por acaso, o discurso foi cheio de “atos falhos freudianos”, daqueles capazes de fazer psicanalistas se masturbarem de alegria (parafraseando aqui a máxima de Stanislaw Ponte Preta). Afirmou que o Legislativo resistirá a “qualquer ditadura”, venha de onde venha, que tente usurpar as suas prerrogativas.
Pra bom entendedor: ditadura só é problema se impedir os deputados de se apropriarem do orçamento federal e se o STF colocar barreiras à farra desregrada com o dinheiro público.
Enquanto isso, o Procurador-Geral da República participou de um animado rega-bofe com o advogado do almirante que disse ter as tropas prontas para o golpe em 2022.
Já o ministro da defesa (uso de minúsculas não é erro aqui), que em vez de mandar é mandado pelos comandantes militares, dá sinais de exaustão e tá pedindo pra sair. Mas foi persuadido a ficar até que a pizza do inquérito do golpe saia do forno.
Nossa frágil democracia continua respirando por aparelhos.
A posse do novo presidente do Império Americano está deixando os neofascistas brazucas em êxtase. Vibram com a decisão dos oligarcas da Meta e do X de liberarem suas redes para servir ao caos. Um caos que tem data para começar oficialmente: 2.o de janeiro, data da posse de Trump. Até aqui, muitas bravatas: eliminar regulações de atividades econômicas, tomar o canal do Panamá e a Groenlândia, mudar o nome geográfico do Golfo do México para Golfo da América, anexar o Canadá, expulsar imigrantes, sobretaxar produtos importados, aplicar sanções aos países que não se submeterem ao interesses do império. Grande parte disso faz parte da tática de soprar o apito de cachorro para manter a matilha em permanente estado de excitação. Até porque não são medidas fáceis de implementar e que podem trazer consequências negativas para a própria economia dos EUA. Trump sempre foi um empresário pragmático, mas com a equipe de lunáticos, desqualificados e psicopatas criminosos que montou, é difícil apostar no que virá.
Mas o que está deixando o neofascismo bananeiro em festa é a adesão das bigtechs. Os oligarcas da Meta e do X anunciaram que vão liberar em suas redes as mentiras e os discursos de ódio e intolerância. Será uma Lei da Selva, com a balela de que os usuários controlarão os conteúdos para assim garantirem a liberdade de expressão absoluta. Falácia. Alguns analistas se perguntam se essa decisão dos oligarcas é somente oportunismo para multiplicar o seu patrimônio, se a adesão aos objetivos do Trump é ideológica ou de conveniência. Irrrelevante. Na prática, o estrago vai ser grande.
As recentes trapalhadas em torno da regulação do PIX foi só uma amostra do que virá por aí.
Trump e seus asseclas olham para a América latina como os nazistas olhavam os judeus: uma raça inferior. Muito provavelmente o Tio Sam vai infernizar a vida das nossa frágeis democracias. As redes sociais de seus oligarcas estão prontas para desestabilizá-las tanto quanto possível. O Brasil será objeto de atenção especial, pela atuação no BRICS. Os EUA querem expulsar China e Rússia do que creem ser seu quintal.
Cinco países terão eleições esse ano no continente: Chile, Bolívia, Equador, Honduras e Guiana. Serão atacadas sem pena nem dó. E as ações para desestabilizar Colômbia, México e Brasil serão frequentes. Sem falar dos habituais ataques à Venezuela, Cuba e Nicarágua (a primeira principalmente, pelo petróleo).
Os golpistas daqui estão animados e prontos a servir ao neofascismo internacional, agora no comando da maior potência global.
O caos se aproxima. Porém nós, democratas, ainda estamos aqui. E vamos resistir. Sem otimismo, mas com esperança.
Como a fala do excelente filme “Malu”: “- Porque não dá pra deixar esses escrotos perderem a vergonha de serem canalhas.”
Parece que a milicada bananeira assimilou perder alguns de seus privilégios, embora apenas os mais absurdos. Num primeiro momento, também aceitarão a punição de alguns de seus brothers, com a justificativa de que atropelaram os sagrados valores da hierarquia e da disciplina (mesmo com a vista grossa dos comandantes, que viram o que se passava e permitiram a aventura pensando em colher frutos futuros do trabalho sujo). Também deverão deixar o Bozo à sua própria sorte. Afinal, trata-se de salvar a instituição para que voltem a conspirar em momentos mais favoráveis.
O golpismo militar apenas recolheu as garras. Estão momentaneamente acuados. Posam de legalistas, mas disfarçam mal. A Marinha, depois de pedir para que João Cândido não fosse incluído no livro heróis da pátria, publicou o patético vídeo dos privilégios. E o atraso dos aviões da FAB quando o presidente corria risco de vida pode não ter sido pura incompetência. O golpismo vive nos corações e mentes da milicada bananeira. Para extirpar esse câncer ainda falta muito o que fazer. Sim, veremos oficiais cumprindo pena. Mas não dá pra crer que ficarão por muito tempo detrás das grades. O ministro da defesa está cansado e pedindo pra sair. A missão dele sempre foi impossível: negociar interesses de golpistas derrotados com o estado democrático. Mas foi o caminho que a presidência escolheu: evitar maiores confrontos (por falta de mobilização social que lhe de suporte) e comer pelas beiradas. A redução da presença militar na administração civil, assim como a organização de uma carreira civil da defesa, são boas iniciativas, ainda que bem modestas, Continuaremos a caminhar no fio da navalha.
Se na caserna o golpismo arrefeceu, nos clubes militares – onde os militares têm liberdade para expor as maiores sandices – a conspiração segue de vento em popa. Avaliam os erros cometidos, torcem pelo caos econômico e sonham com o apoio do Tio Sam.
Os militares que mataram mais compatriotas do que invasores estrangeiros ao longo de sua história tem o golpismo em seu DNA. Na essência, continuam os mesmos, mesmo que afirmem o contrário em suas notas oficiais. Quem avisa amigo é.
“O Brasil tem uma classe dominante ranzinza, azeda, medíocre, cobiçosa, que não deixa o país ir pra frente”. Darcy Ribeiro
Mula sem cabeça, Saci-Pererê, Curupira, militar legalista e liberal com preocupação social. Estes são os principais mitos da nossa república bananeira, a maior do planeta.
Dito isso, resta saber se aqui no Brasil, em 2026, repetiremos o filme que já vimos e sabemos no que vai dar. Pelos sinais que os diários oficiais da elite neocolonial nos mandam em seus editoriais, mais uma vez eles vão apoiar o neonazifascismo. Fazem uma chantagem descarada, para que o governo se submeta aos seus interesses financistas. O recado é um só: essa é única maneira de, quem sabe, um governo de “esquerda” ser tolerado por mais quatro anos. Mas não se deve contar com isso. O que eles querem mesmo é um “libertário” tal qual o bizarro Milei. Nossa elite econômica neocolonial, seguidora das ideias de Mises, entende que, em momentos críticos para os interesses deles, o fascismo é salvador e não hesitarão em fomentar e patrocinar um novo golpe. Não por acaso, um candidato a Milei tropical, o atual governador de São Paulo, se rasgou de elogios ao presidente argentino em entrevista recente.
Por falar em Mises, uma das suas seguidoras nos EUA, que escreve num jornalão paulista, recentemente defendeu o “voto em Jair” para garantir o livre mercado. A tal “colonista” se declara antitrumpista, mas só por conta dos maus modos e pela equipe de lunáticos e criminosos que ele montou. Ao ser alertada de que o “Jair” tramou o assassinato das maiores lideranças da república, se desculpou na coluna seguinte. Igualzinho ao seu mestre Mises, que só condenou o fascismo após o barbárie se consumar (mesmo que claramente anunciada bem antes). Puro suco da hipocrisia neoliberal. Enfim, para eles o fascistas são toleráveis, desde que sigam algumas regras básicas de etiqueta. E, claro, respeitem a plena “liberdade do mercado”.
Por isso, de nada adiantarão os bilhões do Plano Safra para o agronegócio. Tampouco o arcabouço fiscal. Nem a tolerância e as benesses reservadas para os militares. Nem fechar os olhos à farra das emendas parlamentares. Nem privatizações, concessões, mais e mais. A fome de acumulação da elite neocolonial brasileira é insaciável. Tanto que articulou os seus prepostos no Congresso Nacional para barrar as isenções fiscais para os pobres e a taxação para os super-ricos.
Os “operadores do mercado” prosseguirão em suas ações para sabotar a economia. Não querem um governo que sequer questione a aberrante discrepância na distribuição das riquezas em nosso país. Pra complicar, a dobradinha Trump/Musk deverá atuar para desestabilizar as democracias nos países que questionem o domínio imperial dos EUA
Como se dizia antigamente, é a luta de classes, filho. E ela vai se acirrar nos próximos anos. Um mega-empresário disse certa vez: “- Marx tem razão, a luta de classes existe. E nós estamos ganhando!”
Apesar de tudo, não devemos perder as esperanças, que é sempre a última a morrer. Que venha 2025!
(…)Somos os camisas verdes no Brasil, os camisas pretas na Inglaterra, os camisas azuis na França!…Anauê! Anauê! …As cidades nos uniram! Somos os Camisas Cáquis nos Estados Unidos, os Camisas Douradas no México, os Camisas Amarelas na China!…(fala de Castro Cott, personagem integralista da peça teatral “Rasga Coração”, de Oduvaldo Viana Filho).
Se nos países ditos democráticos a democracia está em risco, o cenário não é nada animador nas repúblicas bananeiras. Com a gestão Trump liderando uma nova internacional fascista, talvez vejamos em 2025 fortes movimentos para desestabilização da Bolívia, Colômbia e Honduras, além das demonizadas Venezuela, Cuba e Nicarágua. E, obviamente, o nosso patropi.
Após a primeira eleição do Trump, vários cientistas políticos anglo-saxões lançaram livros sobre o perigo de “morte” da democracia. Bons em suas constatações, porém frágeis nas suas explicações. A falha, segundo estes estudiosos, estaria no sistema político, que não teria mecanismos para impedir o ingresso daqueles que querem usar a democracia para sabotá-la. O problema destes cientistas políticos é que não conseguiram explicar como surgem esses líderes ditos “iliberais” e o que favorece a sua ascensão no eleitorado e no sistema político.
De lá para cá, a situação só piorou. Após um breve interregno, Trump foi reeleito com sobras. A extrema direita mundo afora copiou os seus métodos – a disseminação do pânico moral, de mentiras deslavadas e do ódio contra os supostos inimigos – que não é nada mais do que uma versão 4.0 do nazifascismo. Com a concentração das riquezas atingindo níveis pornográficos, o avanço da precarização do trabalho, o desmonte do estado de bem estar social e o aprofundamento das desigualdades formou-se a tempestade perfeita para o ascenso do fascismo.
Claro que, por razões óbvias, neofascistas rejeitam furiosamente tal adjetivação (fascista) Mas é disso que se trata. Como a imagem do holocausto é algo muito presente e frequentemente veiculado pela mídia, os neonazifascistas dissimulam a sua natureza. Mas não muito. Usam as mãos para fazerem o símbolo do supremacismo branco (white power), traduzem lemas e adaptam slogans, usam acessórios inconfundíveis (tiaras de flores), fazem manifestações nacional-patrióticas, rejeitam a diversidade étnica, fazem motociatas e apelam para outras simbologias consagradas pelo fascismo.
Para os mais chegados aos rigores acadêmicos, que se arrepiam com o uso indiscriminado do conceito de fascismo, claro que entendemos que as condições históricas atuais são bem diferentes daquelas que engendraram o nazifascismo no século passado. Mas o uso deste adjetivo não difere muito do uso, a torto e a direito, do conceito de populismo. Só para ficar num exemplo.
O que importa é que se tratam de práticas sociais, métodos de ação e estratégias de comunicação muito similares, aquilo que Umberto Eco chamou de Ur-fascismo, um fascismo eternamente presente. Ou, nas palavras do dramaturgo Bertold Brecht, a besta que permanece sempre no cio, pronta para ser fecundada e dar novas crias. É o espectro da barbárie que resiste aos avanços civilizatórios, que ressurge sempre que encontra uma oportunidade.
Dessa forma, em todo o mundo criaturas bizarras estão sendo eleitas ou, na pior das hipóteses, cacifando-se para serem eleitas num futuro breve. Até mesmo as tradicionais democracias europeias estão sob risco. E agora contam a reedição do trio Hitler-Goebbels-Gaetano Mosca – na forma de Trump-Bannon-Elon Musk – para apoiá-los. Aliás, depois de prometer apoio financeiro ao candidato de direita na Grã-Bretanha, o bilionário declarou em sua própria rede X que somente o partido de extrema-direita neonazista poderá salvar a Alemanha.
A democracia dita “liberal”, definha. O mundo caminha para regimes iliberais, comandados por autocratas. Este é o cenário provável para as próximas décadas. Até que os que lutam pela emancipação humano consigam criar outro imaginário que conquiste as multidões.
Aqui, na maior república bananeira do mundo, as ameaças ainda pairam no ar. Os neofascistas estão se articulando para 2026. A prisão de oficiais não vai mudar esse movimento. Um novo quartel golpista se instalou na Faria Lima. Agentes do caos econômico, o rentismo atua para sabotar o crescimento industrial e inviabilizar programas sociais que poderiam impedir o retorno do neofascismo. Sonham com um Campos Neto ministro da Fazenda e tudo farão para que isso ocorra.
Enfim, mesmo que o cenário que se desenha nos cubra de pessimismo, não podemos perder a esperança. A batalha é duro, porém, relembrando Maquiavel, é necessário ter a virtu necessária para tirar proveito dos momentos de fortuna que surgem diante de nós.
Uma virtu tem tem faltado, e muito, nas nossas lideranças democráticas.
Já se gastou muita tinta sobre o papel da mídia bananeira nos golpes e sabotagens à democracia. Ninguém tem dúvidas de que ela tem um histórico de atuar neste sentido. Mas não como um ator político autônomo. Ela é só um instrumento da elite econômica neocolonial, a porta-voz dos interesses dessa elite, o seu diário oficial. A cobertura é geralmente tendenciosa. Vez por outra dá voz ao contraditório, mas é só um engodo para dar a aparência de uma prática jornalista honesta. Tudo o que ela não é.
A recente entrevista do Presidente foi, de forma escancarada, ilustrativa dessa forma de atuar. Quando o Presidente se queixou da perseguição judicial que sofreu, a entrevista foi editada para, de forma pouco dissimulada, chamá-lo de mentiroso, negando todo o lawfare que o jornalismo daquela organização defendeu durante todo o processo da lava-jato. E sem qualquer direito a réplica. Pior: a parte da entrevista em que o presidente defendeu a ampliação da isenção do imposto para os mais pobres e o aumento da taxação dos mais ricos foi….OMITIDA. Desde a fatídica edição do debate de 1989 que não víamos canalhice igual.
Não poderia haver forma mais didática de demonstrar como a elite econômica bananeira é cruel, torpe, vil, repugnante e neoescravocrata.
Aquilo que sempre foi claramente exposto nos editoriais dos grandes jornais, se travestiu de matéria jornalística de envergonhar qualquer profissional que tenha compromisso com a ética e a honestidade intelectual.
O contorcionismo dos jornalistas e especialistas convidados da grande mídia é impressionante A isenção de imposto de renda para quem ganha até cinco mil reais vira algo que pode prejudicar a economia, assim como a taxação dos dividendos e lucros dos super-ricos. Taxas de juros absurdas são vistas como algo positivo para equilibrar a contas do país, bem como a supressão direitos trabalhistas, a privatização de empresas lucrativas e a inviabilização da aposentadoria para os mais pobres (que vão contribuir até morrer, sem usufruir). Desde a escravidão o comportamento da elite bananeira é o mesmo. Deplorável. Apoiaram o neofascismo do Bozo e estão prontas para apoiá-lo de novo ou outro do mesmo naipe, como bem demonstrou a pesquisa feita recentemente entre os farialimers.
Até 2026, esse comportamento das grandes corporações de mídia só vai piorar.
A inédita prisão de um general 4 estrelas – articulador de um golpe de estado, foi um sopro de esperança na república das bananas. E pela obra e graça de um ministro do STF indicado por um golpista, quem diria. Será que, finalmente, quebraremos as amarras que nos impedem de fugir do destino bananeiro? Sem dúvida, a prisão de um general estrelado foi um passo importante, além de inédito. Mas ainda é preciso ir além. Punir os empresários financiadores desta aventura insana também é vital. Mas dificilmente saberemos o que os três juízes do STF foram debater no planalto na véspera do golpe planejado. Nem teremos os golpistas da classe política devidamente responsabilizados.
Sim, há uma esperança no ar. Mas que não nos permite ser demasiado otimistas.
No momento as FFAA estão envergonhadas, na defensiva, disposta a entregar alguns anéis (não todos) para não perder os dedos. Ao que parece, os “irmãos por escolha”, vão lançar ao mar alguns de seus brothers para preservar a instituição militar. A saída que pretendem “honrosa” será atribuir a alguns CPFs a responsabilidade individual pelo plano golpista, aqueles que desafiaram a hierarquia e a disciplina, pilares da instituição militar.
Querem vender a ideia pouco crível de que a oficialidade é majoritariamente legalista, uma falácia absoluta. Nas investigações da PF foi localizada uma apresentação interna de powerpoint no qual fica claríssimo que a caserna se vê como poder tutelar, moderador, ator político e dona de uma superioridade intelectual e moral diante dos civis. Um complexo de superioridade dos narcisos fardados.
Se não fosse o “papo reto” dos emissários do governo Biden, nosso país teria vivido outra página infeliz da nossa história, essa é a verdade. Há exceções? Como sempre, existem umas poucas, mas só para confirmar a regra. E que não são convidadas para fazer comentários na Globonews et caterva.
Enquanto tudo isso se passa, o exército anuncia a construção uma cidade cenográfica do Centro de Instrução de Operações Urbanas (CIOU), para treinar militares para atuar em “sequestros, ataques terroristas, desastres naturais e protestos violentos”. A grave disfunção das FFAA de atuar na segurança pública permanece e nem é questionada.
As academias militares diplomam anualmente algumas centenas de futuros oficiais que saem com uma visão deformada de seu papel na sociedade, que é reforçada por instruções e treinamentos ao longo de suas carreiras. São os bolsonaros do amanhã. Enquanto isso não for modificado, o fantasma do golpismo sempre irá nos assombrar
Saudemos a prisão do general golpista. Porém ainda falta muito para curar essa doença verde-oliva que corrói a nossa democracia.
Nas últimas semanas vimos três instantâneos que comprovam o que sempre dizemos aqui: o Brasil é a maior república bananeira do planeta. A combinação perversa de militares anacrônicos, elites econômicas perversas e classe política patrimonialista. Tudo motivado pela proposta de reforma fiscal apresentada pelo governo. Aliás, uma proposta tímida, tendo em vista a imensa desigualdade que reina em nosso país. Surpreendeu por incluir, finalmente, a taxação de grandes fortunas e isenção de imposto de renda para ganhos até 5 mil reais.
Vimos retratos feios, repugnantes, que revelam o que impede o Brasil de ser um país melhor pra se viver.
Os farialimers foram os primeiros a reclamar, aliás, bem mais do que isso, claramente sabotaram a proposta. Provocaram uma disparada do dólar, assegurada pela omissão e cumplicidade de seu serviçal que comanda o banco central dito “independente”. Não queriam um ajuste com justiça social e se revoltaram com os cortes insuficientes nos benefícios sociais e orçamentos da saúde e educação.
Os militares, obviamente, chiaram. Com 80% do orçamento destinado a salários, pensões e benefícios (a título de comparação, nos EUA isso corresponde a 22%). E olha que a proposta do governo só visou os privilégios mais óbvios e injustificáveis, que respondem por apenas 2,8% dos valor dos benefícios a serem cortados para todos os brasileiros. O papel ridículo coube a Marinha, que até hoje não digere a Revolta da Chibata. Fez um vídeo patético em que seus marujos ralam enquanto os civis, que pagam os seus salários, apenas se divertem.
A classe política patrimonialista e paroquial se assustou com a proposta. Eles se preocupam apenas em garantir sua fatia no orçamento público, suas emendas impositivas e sem transparência, o que garante que compras e contratações pra lá de suspeitas em seus redutos eleitorais, que ficam livres de fiscalização. Mas já anunciaram que não querem isentar pobres nem taxar ricos, obedientes que são aos financiadores de suas candidaturas, a elite econômica bananeira. A cereja do bolo veio do governador do estado mais FaSCista do país, que disse abertamente ser contra acabar com a isenção de IPVA para barcos e aviões. Como bem o sabemos, são produtos essenciais na cesta básica do povo pobre brasileiro.
Enfim, esse tripé prenhe de estupidez, sordidez, comportamento predatório e sadismo domina o nosso Brasil. E como é difícil de erradicá-lo.