
Enquanto boa parte dos cidadãos democratas dos EUA foram as ruas bradar “No Kings”, o candidato herdeiro do clã neofascista foi claro e direto: “- Queremos ser seus súditos!”, poderia ele ter dito de forma resumida. Apresentou um projeto para consolidar o Brasil como uma república das bananas totalmente submissa ao império de Trump. Ofereceu um país de braços e pernas abertas. Nunca na história desse país se viu tamanha sabujice, humilhante subserviência, uma verdadeira apoteose do viralatismo.
Mas o terreno para isso já começou a ser preparado bem antes desse anúncio descarado e da cínica afirmação de Trump de que teria uma “química” com o atual presidente brasileiro. Recentemente o Comitê Judiciário da Câmara dos Estados Unidos publicou um relatório em que acusa o STF de implantar um “complexo industrial de censura” e praticar lawfare contra opositores, minando assim o que seria o “cerne da democracia brasileira”. O alvo é claro: torpedear a regulação das redes sociais e os interesses das bigtechs. Enfim, nada surpreendente, partindo de um governo presidido por um pedófilo-estuprador.
Em paralelo, a USTR (United States Trade Representative, agência de comércio exterior dos EUA) divulgou o seu relatório em que volta a acusar o Brasil de práticas comerciais desleais, com destaque para o sistema PIX, que prejudicaria as bandeiras de crédito e os meios de pagamento das bigtechs. Querem nossas terras raras, nosso petróleo e faturar com nossos juros pornográficos. E o idiota candidato da familícia diz que entrega tudo isso de mão beijada se for eleito.
Muito breve veremos as organizações do Comando Vermelho-CV e Primeiro Comando da Capital-PCC serem enquadradas como organizações terroristas, a despeito de todo esforço diplomático para que isso não ocorra.
Já fizemos algumas postagens anteriormente em que citamos a organização alegórica criada pelo cineasta argentino Fernando Solanas: a OPA-Organização dos Países Ajoelhados (link). Mas a realidade supera a ficção e agora temos a organização “Escudo de las Américas”, que essencialmente é a mesma coisa. Uma coalização de países subservientes aos EUA para supostamente combater o narcotráfico, agora elevado à categoria de organização terrorista. Logo, não mais na esfera da ação e cooperação policial, mas da intervenção das forças armadas norte-americanas.
Em um acordo vergonhoso, o Paraguai franqueou o acesso ao seu território para livre incursões do Exército dos EUA. O Equador tentou fazer igual, mas a população em plebiscito rejeitou a ideia. Mesmo assim, realizou operações militares conjuntas com os EUA para combater o tráfico que resultaram em ao menos um desastre (uma fazenda dedicada a criação animal foi aniquilada, matando dezenas de trabalhadores).
Para o Brasil, o caso do Paraguai, com quem temos fronteiras, é o mais preocupante. Comenta-se do interesse das bigtechs instalarem um grande data-center por lá por conta da energia abundante da Itaipu Binacional, o que poderá comprometer o fornecimento de energia acordado para o Brasil. Um risco que os medíocres think tanks dos militares brasileiros, vassalos do Comando Sul dos EUA parecem ignorar.
O circo da intervenção ianque vem mostrando as suas garras. O consulado dos EUA em São Paulo se manifestou sobre o leilão do Porto de Santos, alertando que não seria tolerável que fosse vencido por empresas chinesas – numa repugnante ingerência em assunto interno. Também fizeram circular um relatório do Congresso dos EUA que faz ilações sobre a existência uma base chinesa na Bahia de uso militar “disfarçada” de ação civil (a Tucano Ground Station, da empresa brasileira Alya Space associada a chinesa Beijing Tianlian Space Technology, voltada para a análise de dados de satélites).
Trump não tem se manifestado sobre o Brasil, ocupado que está com as consequências de ter agredido o Irã. Até o encontro com Lula, previsto para março, teve que ser adiado. Mas as suas indisfarçáveis intenções foram delegadas aos seus prepostos. Enviou um de seus assessores sênior (Darren Beattie) para visitar o ex-presidente que cumpre pena. Mas também teria encontros com os ministros do STF indicados pelo ex-presidente, que estarão à frente do TSE nas eleições deste ano. Diante dessa provocação descarada, o visto foi negado. Não houve reações, mas o recado foi dado: os EUA vão interferir despudoradamente nas nossas eleições para favorecer o seu candidato capacho. Outro conselheiro de Trump, Jason Miller, em publicação de rede social, postou que Alexandre de Moraes é um “criminoso que logo estará na cadeia”, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria um “fantoche da China” e que Flávio seria a salvação para o Brasil.
Enfim, é isso que nos aguarda. As próximas eleições decidirão se o Brasil será uma nação soberana ou um território vassalo dos EUA. Lamentavelmente, não faltam quintas-colunas dispostos a entregarem o nosso país a uma potência estrangeira.
Nota extra
Esse blog, que se arrisca em interpretações leigas dos fatos, humildemente admite que errou. Tomamos como bravata a ameaça do presidente pedófilo-estuprador de que iria atacar o Irã de forma massiva. Quando muito, ataques pontuais para forçar uma negociação em seus termos. Porém, ao que parece, Netanyahu “convenceu” Trump a cruzar uma linha perigosa. A insanidade prevaleceu e agora a guerra entrou em uma espiral difícil de controlar. Nesse momento, inúmeros analistas fazem suas interpretações e prognósticos sobre os próximos desdobramentos do ataque ao Irã. E não há qualquer consenso sobre o que nos aguarda. Uma grave crise econômica mundial pode complicar ainda mais o cenário eleitoral. Aguardemos.